sábado, 24 de março de 2007

O Poder e o seu Povo

A temática do Poder despertou-me o interesse em consequência de tanto ouvir em conversas de café e na opinião pública a tradicional acusação de o Poder não olhar pelo seu Povo. É, de facto, um velho conflito! E resolvi fazer uma breve reflexão.

Querendo ser breve e apenas suscitar a reflexão, as questões são as seguintes:
1. Qual a origem dos membros do Poder e do Povo?
2. Qual a ligação entre eles?

Pois bem, a verdade esquecida é mesmo esta origem. Os membros do Poder em monarquia eram nobres, cuja ascendência não reflectia as características do seu povo. Por exemplo, os Reis casavam-se com membros da realeza de outros países, o que criou entre os vários réis europeus ligações familiares, ou seja, eram uma grande família europeia cujas características físicas não reflectiam as do povo que governavam pois não eram um deles no sentido de nativo de um país. Os países eram na prática uma espécie de grande quinta que podia mudar de dono por herança. Tal como aconteceu com Portugal após a morte do Rei D. Sebastião, passando este país “quinta” para a posse de D. Filipe II de Espanha, que era familiar de D. Sebastião e tinha direito à herança.

Este é o problema das monarquias, em que a referência a um SEU povo é no sentido de posse de uma terra. Assim, a ideia era o povo nativo dessa terra proporcionar uma melhor vida ao senhor da terra e não exactamente o contrário.

A implantação da República e da democracia veio dar a oportunidade de efectivamente os membros do Poder serem também membros do Povo. A partir desse momento passou a existir realmente um País. Um País que não é posse de ninguém nem pode ser herdado e anexado às posses de uma família.

No entanto, infelizmente, o desempenho do poder parece ainda estar agarrado ao sentido de posse, apesar de temporária. É necessário esquecer modelos antigos e hoje em dia injustificados. Agora, Poder e Povo são nativos de um País com o objectivo de melhorar a vida dos seus (todos nós).

Sem comentários: