segunda-feira, 26 de março de 2007

Uma espécie de Grandes Portugueses

Ai Portugal, Portugal...

O concurso Grandes Portugueses da RTP chega ao fim com a vitória de Salazar seguido por Cunhal, isto, apesar de ser apenas um concurso, não define quem é o grande português, mas sim quem são os portugueses.

Ao longo do programa sempre se procurou um português universal que realmente tenha projectado Portugal no mundo. E, afinal, foram os portugueses de hoje que não souberam ser grandes, acabando por dar esta triste imagem de Portugal ao mundo.

Mais uma vez, como já vem sendo hábito, venceu o clubismo. Esta cegueira popular de apenas ver o seu partido ou clube.

Diziam os Romanos sobre os Lusitanos que este povo "não se governa nem se deixa governar". Cá está a prova! Este povo nem bom para si próprio sabe ser.

Secou o jardim de poetas à beira-mar plantado!

sábado, 24 de março de 2007

O Poder e o seu Povo

A temática do Poder despertou-me o interesse em consequência de tanto ouvir em conversas de café e na opinião pública a tradicional acusação de o Poder não olhar pelo seu Povo. É, de facto, um velho conflito! E resolvi fazer uma breve reflexão.

Querendo ser breve e apenas suscitar a reflexão, as questões são as seguintes:
1. Qual a origem dos membros do Poder e do Povo?
2. Qual a ligação entre eles?

Pois bem, a verdade esquecida é mesmo esta origem. Os membros do Poder em monarquia eram nobres, cuja ascendência não reflectia as características do seu povo. Por exemplo, os Reis casavam-se com membros da realeza de outros países, o que criou entre os vários réis europeus ligações familiares, ou seja, eram uma grande família europeia cujas características físicas não reflectiam as do povo que governavam pois não eram um deles no sentido de nativo de um país. Os países eram na prática uma espécie de grande quinta que podia mudar de dono por herança. Tal como aconteceu com Portugal após a morte do Rei D. Sebastião, passando este país “quinta” para a posse de D. Filipe II de Espanha, que era familiar de D. Sebastião e tinha direito à herança.

Este é o problema das monarquias, em que a referência a um SEU povo é no sentido de posse de uma terra. Assim, a ideia era o povo nativo dessa terra proporcionar uma melhor vida ao senhor da terra e não exactamente o contrário.

A implantação da República e da democracia veio dar a oportunidade de efectivamente os membros do Poder serem também membros do Povo. A partir desse momento passou a existir realmente um País. Um País que não é posse de ninguém nem pode ser herdado e anexado às posses de uma família.

No entanto, infelizmente, o desempenho do poder parece ainda estar agarrado ao sentido de posse, apesar de temporária. É necessário esquecer modelos antigos e hoje em dia injustificados. Agora, Poder e Povo são nativos de um País com o objectivo de melhorar a vida dos seus (todos nós).

quarta-feira, 14 de março de 2007

auto-escravatura

"Você se especializa em alguma coisa até um dia descobrir que a coisa se especializou em você." (Arthur Miller)

sexta-feira, 9 de março de 2007

Questão Ambiental

Image:Solar Panels.jpg
Com as questões ambientais na ordem do dia, a União Europeia propõe que, até 2010, 20% do total de energia consumida na União provenha de fontes renováveis e ainda, até 2020, uma redução de 20% das emissões de gases com efeito de estufa, em relação aos níveis de 1990 . Tal notícia parece-me promissora, no sentido em que põe a Europa a liderar alguma coisa a nível mundial, ou seja uma estratégia global para o ambiente.

Contudo, será isto suficiente? Não me refiro aos números, mas sim à estratégia muito focada na energia. Afinal qual a Questão Magna das alterações climáticas?

De toda esta questão sabemos já duas premissas que devem estar sempre presente:
1. O clima do planeta sofre mudanças naturais desde sempre.
2. A acção do homem acelerou estas mudanças naturais.

Ora, talvez devido à mediatização do problema, apenas nos temos debruçado sobre o segundo ponto. Com certeza, é a nossa forma de nos redimirmos de alguns excessos.

A verdade é que atacar somente o segundo ponto apenas adia o problema, ao tentar desacelerar o inevitável do primeiro ponto. Existem diversos estudos que por muito diferentes que sejam, em relação a números, todos indicam como efeitos das alterações climáticas entre outros a subida do nível do mar e o aquecimento global. Isto é o inevitável independentemente do seu grau de impacto.

Podemos e devemos ser mais racionais nos nossos consumos e melhor aproveitar o que a natureza nos oferece. Mas, para responder ao primeiro ponto, o homem tem de se adaptar ao inevitável. Sempre foi a chave da sobrevivência neste planeta.

Ou seja, se sabemos que o nível do mar irá subir é necessário deixar livre faixas costeiras para que ele possa subir sem prejudicar ninguém. É preciso uma aplicação séria do planeamento do território e de facto impedir a construção em locais onde um dia (pelo menos nos próximos 100 anos) serão do mar. Obviamente não me refiro a pequenos bares à beira-mar pois são de carácter temporário, mas sim a construção mais permanente.

Hoje em dia, com o conhecimento da natureza que o homem possui, já temos mapas globais de localização das principais falhas sísmicas, de vulcões e outras inevitabilidades naturais. A verdade é que se continua a construir desenfreadamente em Los Angeles, plena falha de Santo André. Um dia o inevitável voltará a acontecer causando prejuízos a milhões.

O que falta? Falta vontade política, para definir zonas de verdadeiro risco e disciplinar a ocupação do território de forma que a população viva em segurança e a natureza tenha espaço para se manifestar.

domingo, 4 de março de 2007

Senna x Piquet



Diz que é uma espécie de rally!
Parece que Nelson Piquet passou ao lado de uma brilhante carreira nos rallys ...ou não!
De qualquer modo é uma das mais fantásticas ultrapassagens da história da F1.
E o jovem Senna aprendeu a lição :)

quinta-feira, 1 de março de 2007

Brasil, o primeiro contacto

Excertos bem curiosos que seleccionei da Carta de Pêro Vaz de Caminha ao Rei D. Manuel sobre o achamento do Brasil.

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A descoberta:

”…terça-feira das Oitavas de Páscoa, que foram 21 dias de abril, topamos alguns sinais de terra… E quarta-feira seguinte, pela manhã, topamos aves a que chamam furabuchos.

Neste mesmo dia, a horas de véspera, houvemos vista de terra! A saber, primeiramente de um grande monte, … ao qual monte alto o capitão pôs o nome de O Monte Pascoal e à terra A Terra de Vera Cruz!”

Os homens:

“E dali avistamos homens que andavam pela praia, …

Pardos, nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas. Traziam arcos nas mãos, e suas setas. Vinham todos rijamente em direção ao batel. E Nicolau Coelho lhes fez sinal que pousassem os arcos. E eles os depuseram. Mas não pôde deles haver fala nem entendimento que aproveitasse, por o mar quebrar na costa. Somente arremessou-lhe um barrete vermelho e uma carapuça de linho que levava na cabeça, e um sombreiro preto. E um deles lhe arremessou um sombreiro de penas de ave, compridas, com uma copazinha de penas vermelhas e pardas, como de papagaio. E outro lhe deu um ramal grande de continhas brancas, miúdas que querem parecer de aljôfar, as quais peças creio que o Capitão manda a Vossa Alteza.

A feição deles é serem pardos, um tanto avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem feitos. Andam nus, sem cobertura alguma. Nem fazem mais caso de encobrir ou deixa de encobrir suas vergonhas do que de mostrar a cara. Acerca disso são de grande inocência. Ambos traziam o beiço de baixo furado e metido nele um osso verdadeiro… E trazem-no ali encaixado de sorte que não os magoa, nem lhes põe estorvo no falar, nem no comer e beber.”

As moças:

“Ali andavam entre eles três ou quatro moças, bem novinhas e gentis, com cabelos muito pretos e compridos pelas costas; e suas vergonhas, tão altas e tão cerradinhas e tão limpas das cabeleiras que, de as nós muito bem olharmos, não se envergonhavam.

E uma daquelas moças era toda tingida de baixo a cima, daquela tintura e certo era tão bem feita e tão redonda, e sua vergonha tão graciosa que a muitas mulheres de nossa terra, vendo-lhe tais feições envergonhara, por não terem as suas como ela.

Também andava lá outra mulher, nova, com um menino ou menina, atado com um pano aos peitos, de modo que não se lhe viam senão as perninhas. Mas nas pernas da mãe, e no resto, não havia pano algum.”

As trocas:

“…por mandado do Capitão… tomou dois daqueles homens da terra … levou-os à Capitaina, onde foram recebidos com muito prazer e festa.

E eles entraram. Mas nem sinal de cortesia fizeram, nem de falar ao Capitão; nem a alguém. Todavia um deles fitou o colar do Capitão, e começou a fazer acenos com a mão em direção à terra, e depois para o colar, como se quisesse dizer-nos que havia ouro na terra. E também olhou para um castiçal de prata e assim mesmo acenava para a terra e novamente para o castiçal, como se lá também houvesse prata!

Mostraram-lhes um papagaio pardo que o Capitão traz consigo; tomaram-no logo na mão e acenaram para a terra, como se os houvesse ali.

Mostraram-lhes um carneiro; não fizeram caso dele.

Mostraram-lhes uma galinha; quase tiveram medo dela, e não lhe queriam pôr a mão. Depois lhe pegaram, mas como espantados.

Deram-lhes ali de comer: pão e peixe cozido, confeitos, fartéis, mel, figos passados. Não quiseram comer daquilo quase nada; e se provavam alguma coisa, logo a lançavam fora.

Trouxeram-lhes vinho em uma taça; mal lhe puseram a boca; não gostaram dele nada, nem quiseram mais.

Trouxeram-lhes água em uma albarrada, provaram cada um o seu bochecho, mas não beberam; apenas lavaram as bocas e lançaram-na fora.

Viu um deles umas contas de rosário, brancas; fez sinal que lhas dessem, e folgou muito com elas, e lançou-as ao pescoço; e depois tirou-as e meteu-as em volta do braço, e acenava para a terra e novamente para as contas e para o colar do Capitão, como se dariam ouro por aquilo.

Isto tomávamos nós nesse sentido, por assim o desejarmos! Mas se ele queria dizer que levaria as contas e mais o colar, isto não queríamos nós entender, por que lho não havíamos de dar! E depois tornou as contas a quem lhas dera. E então estiraram-se de costas na alcatifa, a dormir sem procurarem maneiras de encobrir suas vergonhas, as quais não eram fanadas; e as cabeleiras delas estavam bem rapadas e feitas.

E então se começaram de chegar muitos… Davam-nos daqueles arcos e setas em troca de sombreiros e carapuças de linho, e de qualquer coisa que a gente lhes queria dar.

E que portanto não cuidássemos de aqui por força tomar ninguém, nem fazer escândalo; mas sim, para os de todo amansar e apaziguar, unicamente de deixar aqui os dois degredados quando daqui partíssemos.

Parece-me gente de tal inocência que, se nós entendêssemos a sua fala e eles a nossa, seriam logo cristãos, visto que não têm nem entendem crença alguma, segundo as aparências. E portanto se os degredados que aqui hão de ficar aprenderem bem a sua fala e os entenderem, não duvido que eles, segundo a santa tenção de Vossa Alteza, se farão cristãos e hão de crer na nossa santa fé, à qual praza a Nosso Senhor que os traga, porque certamente esta gente é boa e de bela simplicidade. E imprimir-se-á facilmente neles qualquer cunho que lhe quiserem dar…

Deste Porto Seguro, da Vossa Ilha de Vera Cruz, hoje, sexta-feira, primeiro dia de Maio de 1500.”

http://pt.wikisource.org/wiki/Carta_a_El_Rei_D._Manuel_%28ortografia_atualizada%29 (texto integral)

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